domingo, 18 de novembro de 2012

Parte # 16

Estou a chegar ao escritório e recebo uma chamada. Mas que raio, não podiam esperar mais um pouco? Entrei no elevador e tenho as mãos super ocupadas. O toque desliga-se, quando pousar as coisas, retorno a chamada. Pip. Entra o meu chefe.

- Bom dia, Sofy.
- Bom dia, boss. Alguma novidade sobre quem vai substituir o Francisco e ser meu "parceiro"?
- Claro que sim. Hoje, se tudo correr bem, vais conhecê-lo.
- "Lo"? Então é um homem...
- Claro. Achas que ia por duas mulheres a trabalharem juntas? Não é que eu não gostasse, mas...

Sim, era mesmo ele que não havia de gostar. Fiquei super curiosa por conhecer o meu novo colega e saber do que ele é capaz de fazer em trabalho.
A porta abre-se, saio do elevador e na minha secretária pouso o monte de papelada que me ocupava as mãos.
Sento-me e ligo o computador, entrando, em mais um dia stressante.
Esqueci-me de retornar a tal chamada, mas para terem ligado só uma vez, sem insistir é porque não era importante.

***
Hora de almoço. Hiberno o computador e pego na minha mala dirigindo-me à porta de saida. O telemóvel toca e aí lembro-me da tal chamada que havia recebido anteriormente.
- Sim?
- Miss Bonito? Gostaria de saber porque raio não atende as minhas chamadas, fazendo com que eu venha ao seu local de trabalho pessoalmente convidá-la para jantar.
- Ora bem, não atendi A chamada e não AS chamadas, ponto número um. Ponto número dois, como disse,  Menino Filipe, estou a trabalhar e não pude atender no momento. E verdade seja dita, prefiro mil vezes que venhas ter comigo do que falar-mos por chamada. Ponto número três: Tu gostas de vir ter comigo, porque caso contrário, terias insistido na chamada.
- Ahhh! Pronto, apanhaste-me.
- Como de costume. Então queres almoçar?
- Por isso é que aqui estou.
- Aqui?
- Sim, mesmo atrás de ti.
Olho para trás e lá estava ele. O meu maninho. Abraço-o apertadamente, quase esmagando-o.
Digirimo-nos a um restaurante ali perto.
- Então como vão as coisas com o teu príncipe encantado?
- Continuo encantada, mas ele já foi mais encantado.
- Como assim?
Contei-lhe toda a história, não falhando nenhum pormenor, porque o Filipe é muito cusco.
- Porque não lhe confrontas e perguntas diretamente se ele tem outra?
- Achas? E se não tiver, vou fazer papel de otária.
- Mas pelo menos, ficas a saber a verdade e mais descansada.
- E achas tu que se ele me estiver a trair, contar-me-á? Nem se eu o embebedar.
- Mas lá que o comportamento dele é estranho, lá isso, é.
- Pois, a ver vamos.
Bip Bip. Tem 1 nova mensagem recebida.
"Estou à tua espera para almoçarmos. No sitio do costume.
Beijos,
N."
Viro o ecrã para o Filipe e mostro-lhe a mensagem.
- Então, ias almoçar com ele? Podias ter dito, não levava a mal se recusasses o meu convite.
- Não entendeste. Se eu aceitei o teu convite, é porque não tinha nada combinado. Nada mesmo.
- De certeza? Olha que podes ter-te esquecido.
- Filipe, tu conheces-me. Sabes como sou exageradamente organizada com tudo.
- Lá isso é verdade. Responde-lhe, não tens nada a perder, se for engano, ele é que se enganou, não tu.
- Pois...mas eu sei que foi engano, por isso tenho medo da resposta.
O filipe faz um sorriso meio triste mas ao mesmo tempo transmitindo-me força.
Responder.
"E o sitio do costume seria qual? Não me lembro de termos combinado algo."
Resposta imediata.
"Uh. A mensagem não era para ti, era para a minha assistente. Sabes como é, almoço de negócios."
Responder.
"Claro que sei. Principalmente depois da mensagem de "negócios" acabar em «beijos». Bom almoço.
Se ele queria esconder algum tipo de amante, ao menos que fosse mais inteligente. A sério, os homens têm de ser, na geralidade, o sexo mais fraco? Que nervos!
Saímos do restaurante, o Filipe leva-me ao trabalho, na despedida ele abraça-me e deseja-me imensa força.
- Claro e preciso! Vou conhecer agora o meu novo colega.
- Não lhe dês com o teu mau-humor, coitado!
- Qual mau-humor? Sou tão simpática!
Ele dá-me um beijo na testa e afasta-se.
Entro no escritório e na receção estava o chefe com um sujeito virado de costas, devia ser o meu colega.
- Boa tarde.
- Boa tarde, Sofia. Ainda bem que chegaste. Apresento-te o teu novo colega.
Ele vira-se cuidadosamente, estou em pulgas para saber quem é e como é. Parece ser em camera lenta, com tanto suspense e a minha ansiedade à flôr da pele. Tal não é o meu espanto quando ele se volta, e ao mesmo tempo o meu chefe diz o seu nome. Não pode. Sinto as minhas pernas a tremer, a qualquer momento caio.

- Pedro Silva.

Porque carga de água, com tanto homem no mundo, ele tinha de contratar o meu ex-namorado?
Educadamente aperto-lhe a mão.

- Prazer.
 Ele aperta a mão, aproxima-se de mim e sussurra-me ao ouvido:
"O prazer é meu. Estás mais bonita desde a última vez que te vi."

Se desde o momento que o vi ali, irritei-me, agora, devia estar a fumegar pelas orelhas.
Empurrei-o, afastando-o de mim e disse:

- Não o voltes a fazer. Se isso vai ser assim, ter-te como colega, então faz para que resulte, caso contrário não sais vivo daqui. Não quero toques, conversas paralelas a não ser sobre trabalho, estamos entendidos?
- Sim, senhora.

Ultrapasso-os, e passando pelo meu chefe digo:

- Preferia ter três mulheres a dar em cima de mim, no escritório, do que trabalhar com esse sujeito. Má escolha.

Entro no elevador. O meu chefe chega-se perto do Pedro e diz-lhe:
- Nunca a vi assim, já se conheciam?
- Não viu que sim? Melhor do que julga.

O Pedro afasta-se e entra no elevador. O meu chefe sai do escritório abanando a cabeça:

"Isto vai ser divertido."

domingo, 11 de novembro de 2012

Parte # 15

Acordei de repente, eram 2:00 a.m. O Nuno ainda não tinha chegado, estranhei porque os seus jantares e/ou saídas de trabalho não costumam demorar tanto, e quando demoram, ele avisa-me, sempre. Vi se tinha alguma chamada ou mensagem no telemóvel. 1 mensagem não lida. Suspirei de alivio, afinal ele avisou.

"Contacte com os seus amigos, em qualquer lugar. Por apenas 3,30€ por mês, aceda ao facebook através do seu telemóvel. Para mais informações visite o nosso site: blablabla@operadora.da.treta.pt"

Afinal ele não avisou. Levantei-me e fui à cozinha beber àgua. Não acendi as luzes porque era escusado gastar eletricidade quando a lua estava cheia e brilhante nessa madrugada, e aclarava a casa.
Senti a porta a abrir. Seria um ladrão? Caso fosse o que era susposto fazer? Não tinha nenhuma frigideira à mão, e duvido que a vassoura pudesse adiantar alguma coisa...
Fiz STOP nos meus pensamentos quando, pela silhueta, vi que era o Nuno. Ele entrou sorrateiramente, quase em bicos dos pés para que, ninguém o sentisse a entrar, e como só vivíamos ali os dois, ele não queria que eu o visse a entrar àquela hora. Como uma criança que fez alguma asneira e sem que os pais percebessem, esquiva-se para o quarto para dar a entender que nunca saiu de lá. Mas o Nuno não é nenhuma criança, e pelo que que sei, até agora, ele não tinha feito nenhuma asneira. Se calhar sou eu a criar "bichos papões" na minha cabeça, talvez ele só não me queira acordar.
Ele fecha a porta cuidadosamente.

- Bom dia. - Digo eu, quebrando o silêncio da escuridão e acendendo a luz.

Ele salta e pela sua expressão, por pouco não lhe saltou o coração pela boca. Não, o seu cuidado para não fazer barulho, não foi para não me acordar. Ele assustou-se realmente como quem foi apanhado com a "mão na massa".

- Am-mor! Que su-susto! Não te queria acordar.
- Pois claro. Mas não te preocupes que não me acordaste. O jantar correu bem?
- Uh, pois o jantar, sim correu bem.
- Ainda bem! Porque tinhas-me falado de uma reunião mas não incluíste que seria um jantar.
- Não? Que estranho, julguei mesmo ter falado.
- Pois, mas para ter durado até agora é porque foi bem sucedido.
- Uh, pois. Olha trouxe-te uma tarte de nozes.
- Ah... Sabias que de tanta coisa existente no mundo, sou alérgica a só uma?

Ele olha para mim e depois para a tarte.

- Pois, és alérgica a nozes.
- E tu, sabia-lo.
- Desculpa.

Viro costas e dirijo-me ao quarto.

- Apaga a luz quando te fores deitar.

Ele sabia à muito tempo que eu sou alérgica a nozes. E com tanto tipo de tarte, trouxe logo essa. E pior, quando alguém dá um "presente", a uma hora destas, depois de estar com ar de quem fez asneira, não é só pelo presente em si, mas sim por fazer um pedido de desculpas sem que a outra pessoa perceba. Mas eu percebo, e o pior é que adoro fazer-me passar por idiota para ver até que ponto ele é capaz de ir.

Sinto-o a apagar a luz e a entrar no quarto, fecho os olhos e finjo estar a dormir. consigo perceber que ele ajoelha-se na cama e debruça-se sobre mim para ver se já durmo. Ele volta a por-se de pé e digita qualquer coisa no telemóvel, segundos depois recebe a resposta, sorri e pousa o telemóvel em cima do móvel e deita-se.