domingo, 11 de novembro de 2012

Parte # 15

Acordei de repente, eram 2:00 a.m. O Nuno ainda não tinha chegado, estranhei porque os seus jantares e/ou saídas de trabalho não costumam demorar tanto, e quando demoram, ele avisa-me, sempre. Vi se tinha alguma chamada ou mensagem no telemóvel. 1 mensagem não lida. Suspirei de alivio, afinal ele avisou.

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Afinal ele não avisou. Levantei-me e fui à cozinha beber àgua. Não acendi as luzes porque era escusado gastar eletricidade quando a lua estava cheia e brilhante nessa madrugada, e aclarava a casa.
Senti a porta a abrir. Seria um ladrão? Caso fosse o que era susposto fazer? Não tinha nenhuma frigideira à mão, e duvido que a vassoura pudesse adiantar alguma coisa...
Fiz STOP nos meus pensamentos quando, pela silhueta, vi que era o Nuno. Ele entrou sorrateiramente, quase em bicos dos pés para que, ninguém o sentisse a entrar, e como só vivíamos ali os dois, ele não queria que eu o visse a entrar àquela hora. Como uma criança que fez alguma asneira e sem que os pais percebessem, esquiva-se para o quarto para dar a entender que nunca saiu de lá. Mas o Nuno não é nenhuma criança, e pelo que que sei, até agora, ele não tinha feito nenhuma asneira. Se calhar sou eu a criar "bichos papões" na minha cabeça, talvez ele só não me queira acordar.
Ele fecha a porta cuidadosamente.

- Bom dia. - Digo eu, quebrando o silêncio da escuridão e acendendo a luz.

Ele salta e pela sua expressão, por pouco não lhe saltou o coração pela boca. Não, o seu cuidado para não fazer barulho, não foi para não me acordar. Ele assustou-se realmente como quem foi apanhado com a "mão na massa".

- Am-mor! Que su-susto! Não te queria acordar.
- Pois claro. Mas não te preocupes que não me acordaste. O jantar correu bem?
- Uh, pois o jantar, sim correu bem.
- Ainda bem! Porque tinhas-me falado de uma reunião mas não incluíste que seria um jantar.
- Não? Que estranho, julguei mesmo ter falado.
- Pois, mas para ter durado até agora é porque foi bem sucedido.
- Uh, pois. Olha trouxe-te uma tarte de nozes.
- Ah... Sabias que de tanta coisa existente no mundo, sou alérgica a só uma?

Ele olha para mim e depois para a tarte.

- Pois, és alérgica a nozes.
- E tu, sabia-lo.
- Desculpa.

Viro costas e dirijo-me ao quarto.

- Apaga a luz quando te fores deitar.

Ele sabia à muito tempo que eu sou alérgica a nozes. E com tanto tipo de tarte, trouxe logo essa. E pior, quando alguém dá um "presente", a uma hora destas, depois de estar com ar de quem fez asneira, não é só pelo presente em si, mas sim por fazer um pedido de desculpas sem que a outra pessoa perceba. Mas eu percebo, e o pior é que adoro fazer-me passar por idiota para ver até que ponto ele é capaz de ir.

Sinto-o a apagar a luz e a entrar no quarto, fecho os olhos e finjo estar a dormir. consigo perceber que ele ajoelha-se na cama e debruça-se sobre mim para ver se já durmo. Ele volta a por-se de pé e digita qualquer coisa no telemóvel, segundos depois recebe a resposta, sorri e pousa o telemóvel em cima do móvel e deita-se.

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