Cheguei. Pousei a mala e perguntei ao Francisco o que tínhamos para fazer.
Sentei-me e liguei o computador. Enquanto esperava, pensava em tudo. Aprendi
que não basta fazer perguntas, temos de ir atrás das respostas. A vida é
assim... O tempo passa e as coisas mudam, o que precisávamos ontem, hoje já não
passa de nada. Existe uma luz ao fundo do túnel, existe um amanhecer lindo e um
pôr do sol único. Só depende de nós se queremos ver isso e mudar a nossa vida,
o nosso dia. És tu que escolhes a tua paisagem, a tua trilha sonora. És tu que
escreves a tua história e és tu quem escolhe as suas personagens. Mas, por
favor, nunca te esqueças que a personagem principal és tu e és a única pessoa
na história que, desde o inicio, merece um final feliz.
Eu estava convicta de que as coisas podiam falhar. Estava convicta de que
não ia conseguir, até acordar e ver que eu consigo, eu consigo porque eu tenho
quem me apoie. Tenho vontade de querer mais, eu tenho força e eu sei que eu sou
capaz. Eu posso. A única coisa que eu não posso é parar, parar nunca vai me
levar a lado nenhum. Já perdi tantas oportunidades por quem não merecia. A vida
é como aprender a tocar um instrumento, podes errar dez vezes, mas se tu
tentares uma 11ª, tu vais conseguir.
Bip Bip. Esqueci-me de colocar o telemóvel em silêncio. Peço desculpa às
pessoas presentes na sala e vejo o que levou àquele som.
"Não foi preciso um beijo para eu me apaixonar por ti.
Jantámos hoje?
Beijo, N."
Sorriso de orelha a orelha.
"Não foi preciso me beijares para eu também querer fazê-lo.
Claro que sim! Saio às 19h.
Beijo, S."
Continuo o trabalho, pergunto algumas coisas ao Francisco, partilhámos
trabalho, falámos sobre o tempo, o patrão, sobre diversas coisas, algumas sem
sentido nenhum, mas que ocupam bem, uma conversa.
O relógio marca exatamente 17h. A porta do escritório do patrão, abre-se.
- Finalmente vejo-vos a trabalhar, ou a fingir. Se assim for, disfarçam
muito bem! Mas vá, eu como sou uma boa pessoa, deixo-vos sair mais cedo.
- Ai sim? Quer o escritório vazio para fazer uma festa? Pediu autorização
aos seus pais? - Sorrio.
- Não. E se eu sei que alguém lhes conta, estão feitos! - Responde ele,
entrando na brincadeira.
- E não temos direito a convite para a festa? - Pergunta o Francisco.
- Vão mas é para casa, antes que eu mude de ideias e vos mace com trabalho!
Ele volta a entrar no seu escritório, quase fecha a porta mas lembra-se de
dizer mais algo:
- Já agora, Sofia, os telemóveis são para estar em silêncio, a não ser que
as SMS que recebam sejam minhas. - Diz ele a sorrir enquanto pisca o olho,
mostrando que está apenas a brincar.
-Sim, senhor!
Saí do trabalho e dirigi-me ao escritório do Nuno, para lhe fazer uma
surpresa.
Durante o caminho, ligo ao Filipe para saber como ele está. Sem resposta.
Chego ao escritório, entro e peço à secretária que ligue para ele dizendo
que alguém bateu contra o seu carro, e este não está nada em bom estado. Ele,
se pudesse, quase voava. Já sem fôlego, quando chegou à recepção.
- A treinar para a Maratona? Meia dúzia de escadas e já estás assim...ai ai.
- Parva! Assustaste-me!
- Se isso não acontecesse, não teria qualquer efeito. A que horas sais?
- À hora que quiseres. Já acabei o trabalho.
- Então estamos aqui, à espera que alguém bata contra o teu carro?
- Se isso algum dia acontecer, serás a primeira suspeita. Estás avisada.
- Uiii avisos... Não sei se hei-de fugir do país devido ao medo, ou se fico
e enfrento-te.
Ele põe a sua mão no meu pescoço, chega-se para junto de mim e cala-me com
uma beijo.
- Enfrenta-me.
Ele pega na minha mão e puxa-me para fora do edifício.
- Onde vamos?
- Onde combinamos. Jantar.
- Onde?
- Em minha casa.
- Quê? Porquê?
- Porque eu decidi que sim.
- Ah, pronto assim, é uma resposta aceitável.
Chegamos. Ele deu-me a chave do apartamento e disse-me que podia ir entrando, enquanto ele tratava de uma coisa com o vizinho. Não passou de uma desculpa. Eu entrei, o chão do corredor estava coberto com um tapete de pétalas de rosa, ao caminhar sobre ele, deparo-me com uma mesa preparada para um jantar, que numa questão de minutos, seria perfeito. Em cima da mesa tinha um cartão, abri-o e li:
"Possuis algo único e gigantesco em ti, que torna-se fácil amar-te. Não te peço que me ames da mesma forma que eu te amo. Mas farei de tudo para que me ames, apenas."
No momento em que acabo de ler, sinto os seus braços a cobrirem-me. Sinto medo. Medo do futuro. Medo daquilo que estou, mais uma vez, a criar. Medo de que me venha a magoar. Mas se continuar assim, nunca serei feliz. Por outro lado, ele faz com que o medo se aniquile. Faz com que toda a minha esperança volte e que todo o meu amor-próprio ressuscite.
Volto-me. E como que a tremer, abraço-o.
- Não tenhas medo, eu protejo-te.
Não conheci ninguém tão sensível a respeito das minhas emoções. Abracei-o com mais força.
- Obrigada por me fazeres sentir importante, outra vez.
- Não fiz nada. Tu és importante, só tu é que não conseguias ver isso.
- E tu fizeste com que eu visse.
Sentamo-nos e começamos a jantar. Comemos e brincamos, os beijos surgem tão espontâneamente no meio de olhares e sorrisos. Como ele é lindo. E a cada dia que passa, reparo mais nisso.
A noite passa rápido e isso é bom.
Envolvemo-nos num longo beijo e entregamo-nos, numa longa e maravilhosa noite. Onde a lua sorri-me pela oportunidade aproveitada e as estrelas felicitam-me, por ultrapassar uma fase difícil e voltar a ser feliz.







